Conselho decide não investigar

O presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, José Paulo Sepúlveda Pertence, informou, ontem, que não há o que apurar no momento em relação ao patrimônio do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, que, segundo o jornal "Folha de S. Paulo", aumentou 20 vezes em quatro anos, saltando de R$ 375 mil em 2006 para cerca de R$ 7,5 milhões em 2010.

O patrimônio de Palocci foi discutido na reunião de ontem da comissão, que durou mais de três horas e meia. Mas, segundo Pertence, a comissão apenas "passou os olhos" sobre o assunto. "Não nos cabe indagar a história da fortuna dos pobres e dos ricos que se tornaram ministro", afirmou.

Ao ser lembrado que a fortuna foi adquirida durante o tempo que era deputado federal e questionado se não havia nisso conflito de interesses, Pertence declarou que só se houver uma denúncia concreta de falsidade nas declarações que Palocci prestou à Comissão de Ética, ao tomar posse como ministro, é que poderá ser tomada alguma medida. Para Pertence, "não há matéria a ser examinada".

Ontem, o ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, afirmou que Palocci o procurou para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. "Ele disse que tinha cumprido todas as exigências legais", relatou.

Cobranças

A oposição não se conformou com as explicações, e o DEM e o PSDB vão apresentar um pedido de convocação de Palocci à Câmara. "Não é normal que um homem público tenha essa evolução patrimonial em quatro anos", afirmou o deputado ACM Neto (DEM-BA).

O PPS anunciou que vai entrar hoje com uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de inquérito para investigar o enriquecimento de Palocci.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, afirmou que a instituição está "perplexa" com o caso e que a sociedade merece explicações do ministro.

Os bens do ministro

05/07/2006 Candidato a deputado federal, Palocci declara bens no valor de R$ 375 mil
21/07/2006 Funda a empresa de consultoria Projeto
02/10/2006 É eleito deputado
03/12/2009 A Projeto compra um escritório por R$ 882 mil
16/11/2010 A empresa adquire um apartamento por R$ 6,6 milhões
29/12/2010 O nome muda para Projeto Administração de Imóveis
02/01/2011 Palocci assume a Casa Civil com patrimônio de R$ 7,5 milhões

POSIÇÃO DO GOVERNO
Presidente sabia sobre empresa do ministro

Brasília. A presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, e também da consulta que ele fez à Comissão de Ética Pública da Presidência da República antes de assumir o cargo de ministro.

Segundo fontes do governo, a avaliação do Planalto é de que está tudo legal e que Palocci não vai divulgar os nomes das empresas para as quais prestou consultoria, porque as informações estão protegidas por sigilo profissional, e isso seria quebrar confiança dos seus clientes.

Ontem, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que "o assunto está encerrado". "E nós estamos muito satisfeitos com esse resultado. Vamos para frente", declarou.

O presidente do PT, Rui Falcão, também defendeu Palocci. "Não temos nenhuma dúvida quanto à honestidade do ministro", disse.

Questão política

As denúncias contra Palocci foram tema de reunião de ministros com Dilma ontem. Segundo as fontes do governo, está sendo considerada apenas a questão política, porque dentro do Planalto, na relação da presidente Dilma com o ministro Palocci, estaria tudo esclarecido. A preocupação é de como isso irá repercutir politicamente.

Segundo a reportagem da "Folha de S. Paulo", semanas antes de assumir a chefia da Casa Civil, Palocci comprou um imóvel em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil. Ainda segundo o jornal, os dois imóveis foram comprados por uma empresa da qual ele tem 99,9% do capital. Palocci afirmou que as compras foram feitas com recursos da sua empresa.

Fonte: DN

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